Fotos do Presépio do Natal de 2012

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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Dona de casa mantém presépio enorme em BH há 67 anos; conheça as peças

Jornal da Alterosa 1ª Edição

Dona de casa mantém presépio enorme em BH há 67 anos;

Link:

http://www.alterosa.com.br/html/noticia_interna,id_sessao=7&id_noticia=95329/noticia_interna.shtml

Além do nascimento de Jesus, outras pequenas histórias são contadas pelas figuras 24 de dezembro de 2012 — O presépio é uma tradição de natal comum a grande parte das famílias cristãs, mas ocupa um lugar ainda mais especial na casa de uma dona de casa em Belo Horizonte. Há 67 anos, desde que tinha 9, Enilde Nunes Miranda mantém acesa uma tradição que conquistou a atenção de toda a família, vizinhos e amigos. O presépio de Dona Enilde leva três dias para ser montado e ocupa toda a sala. "Idealizo o presépio o ano inteiro, nunca fiz dois iguais", ela garante. Dentro dele, a história do Menino Jesus divide espaço com outras trajetórias. As experiências pessoais de Enilde também estão traduzidas em peças que ilustram sua vida. Há representações da fazenda em que ela morou quando criança, a escola onde estudou e a venda que o pai dela mantinha na cidade de Monjolos, no Vale do Jequitinhonha. O trem de ferro que cortava a pequena comunidade quando a dona do presépio tinha a idade dos netos também aparece na montagem. Além dos objetos que colecionou em tantas décadas de presépio, Dona Enilde também recebe presentes de admiradores da sua obra. Em seu cenário é possível encontrar itens que vieram de outros países como Argentina, Chile e Nova Zelândia. Artigos originários das regiões bíblicas de Nazaré e Galileia também integram o acervo, presentes de viajantes que se encantaram pela dedicação da dona de casa. Agora ela pensa em aumentar a sala, porque o presépio, ela garante, não vai parar de crescer.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Aposentada usa criatividade para renovar presépio há 65 anos

Aposentada usa criatividade para renovar presépio há 65 anos

Maurício Lara - Estado de Minas
Publicação: 25/12/2010 09:02 Atualização: 25/12/2010 09:52

A ex-professora orgulha-se de sua obra, que a cada ano ganha novos personagens e uma disposição diferente na sala da casa
Ela tinha 9 anos quando ajudou a mãe a montar o primeiro presépio na casa da família, em Monjolos, então distrito de Conselheiro Mata, no Vale do Jequitinhonha. Era o pagamento de uma promessa pela cura de Evando, um dos seus sete irmãos, vítima de grave doença. Passaram-se 65 anos e a professora Enilde Nunes de Miranda, Natal após Natal, nunca deixou de montar um presépio. “Todos os anos faço de uma forma diferente, nunca foi igual”, orgulha-se a mãe de dois filhos e avó de quatro netos.

O presépio de Enilde nunca parou de crescer. Hoje, ele ocupa duas paredes inteiras da casa, no Bairro Boa Vista, na Região Leste de Belo Horizonte. A família inteira acaba se envolvendo. O marido, Ismar, foi quem fez a armação de ferro para a base. Este ano, o filho, Alyson montou as tábuas e fez a base para o rio que atravessa o cenário.

Os netos Áurea, de 13 anos, Sérgio, de 11, e Arthur, de 12, ajudam em tudo. A neta mais velha, Camila, de 17, entusiasta da montagem, ficou de fora este ano porque está na Nova Zelândia, em viagem de intercâmbio estudantil. As dezenas de pequenas lâmpadas instaladas no alto são costuradas no tecido da “serra”, uma a uma, com ajuda dos meninos.

Mas o presépio é atração também fora da família. Os alunos de catecismo da igreja do bairro e a vizinhança toda esperam a época da montagem para apreciar o resultado do trabalho, que começa em outubro. Todos admiram as mudanças de ano para ano, que, além da criatividade de Enilde, fica sujeita às modernidades. As flores agora são artificiais, porque as naturais não suportam todo o período. Parte das serras é feita em plástico, bem diferente do cobertor de São Vicente com grude usado na primeira vez, em Monjolos.

Mesmo assim, Enilde não abre mão de usar o grude feito à base de um mingau de polvilho doce e água, acrescido da tinta na cor desejada. A serra sempre foi escura, como a do Espinhaço, avistada de Monjolos. ”Faço a terra preta porque a da minha terra é assim”, explica. Ela chegou a pensar em fazê-la branca, como a da Terra Santa, onde Jesus nasceu, mas a lembrança da infância ainda fala mais alto. A sempre-viva, que Enilde colhia na região de Monjolos, agora fica mais difícil. E a areia branca, farta nos córregos da vizinha Diamantina, passou a ser adquirida em floriculturas.

Na encenação da casa de Enilde, cabe o mundo inteiro. Lá, estão os três Reis Magos, com seus camelos, mas estão também burrinhos do Jequitinhonha; estão os carneiros representados na história, bem perto dos tropeiros dos sertões de Minas; há a gruta com a manjedoura, perto de um curralzinho típico de fazendas centenárias. “Tem uma fazendinha, porque a gente, que é da roça, tem de fazer assim”, mostra a autora.

Uma das peças preferidas, que combinou muito como cenário, é uma réplica da Casa Nunes, a típica venda do interior, precursora dos modernos supermercados, de propriedade do pai de Enilde. De Monjolos veio também o carro de boi, que combina bem com o trem de ferro, que sempre compõe as imagens de Minas, como a casinha de joão de barro, que ocupa lugar de destaque no cenário.

Tem também um bonequinho da Guiné, uma igrejinha chilena, casinhas de Portugal, miniaturas do Piauí. “Presépio é o que cabe tudo”, justifica a dona da casa, completando que é comum as pessoas, quando viajam, ao ver peças em lugares distantes, imaginar que elas ficariam bem no presépio e trazê-las.

Ela própria, este ano, trouxe a grande novidade: uma sagrada família, que veio diretamente da Terra Santa. Enilde viajou com um grupo da Igreja de Santa Efigênia dos Militares e trouxe os novos personagens. José e Maria estão no presépio, ao lado da manjedoura, esperando o Menino Jesus. A história dessa sagrada família inclui o percurso de Maria sobre o burrinho puxado por José até Belém, que Enilde reconstituiu na sua viagem. “Não é mais o deserto pelo qual Nossa Senhora passou, agora é tudo asfalto.”

Enilde conta a história dessas peças e de todas as outras. Pega um pastor de ovelhas e diz: “Veio um pastor humilde do bairro, rezou, rezou e rezou. Ele alcançou uma graça, comprou este pastor e mandou para mim”. Os cochinhos de madeira no curral foram especialmente construídos por um amigo da família: “Ele disse: ‘Seus bichinhos não comem?’. Tudo aqui tem uma história e um significado para mim”.

A cada ano ela muda todas as peças de lugar, rearranja tudo e constrói uma nova história que conta para a meninada. Os netos dão o testemunho da riqueza de detalhes com que a avó fala do nascimento de Jesus. O talento para contar histórias os encanta. Sérgio gosta é de histórias da carochinha, mas Áurea prefere as bíblicas. Repertório não falta.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Presépios - A divina arte de recriar o Natal Na capital e no interior, mineiros mantêm tradição e montam cenário do nascimento de Jesus com um toque original que mistura peças religiosas a objetos marcantes da história familiar

Depois de quase dois meses de trabalho, Enilde Nunes de Miranda, do Bairro Boa Vista, Região Leste de BH, concluiu obra-prima com mais de 400 peças, entre figuras bíblicas e lembranças da infância

Num canto, sobre a serragem tingida de verde, ficam a igreja, a antiga venda, a praça e pequenas casas que homenageiam a cidade natal. Perto dali, um trem de ferro, parado no tempo e no espaço, parece esperar passageiros que, sem pressa, caminham com carneiros nos ombros, baús coloridos nas mãos ou se deslocam montados em camelos ou burrinhos. O cenário, com mais de 400 peças reunidas ao longo de seis décadas, vai se completando com anjos, pastores, bichos, plantas e uma fogueira para atingir o ponto fulgurante na gruta que traz as imagens de Maria e José. Olhando cada detalhe do trabalho de quase dois meses, a professora aposentada Enilde Nunes de Miranda, de 73 anos, moradora do Bairro Boa Vista, na Região Leste de Belo Horizonte, dá por encerrada a montagem do presépio, onde só falta o Menino Jesus, que será colocado na manjedoura à meia-noite de quinta-feira. A divina arte de recontar a história sagrada se mantém na capital e no interior de Minas, com grande participação das famílias, visitação constante e um toque pessoal que eleva o encantamento.

Ao mesmo tempo em que fortalece a tradição do Natal, Enilde, natural de Monjolos, na Região Central de Minas, reconstitui momentos de sua vida. Sorridente, a professora, orgulhosa de ter passado 42 anos em sala de aula, aponta a miniatura em cerâmica da Casa Nunes, com a data de 1926 na fachada, e a moradia de antigos empregados de uma estrada, o que reaviva as lembranças da infância. Em seguida, mostra, nos caminhos de areia e pedras brancas que levam a Belém, presentes de amigos e parentes, como a escultura de um menino de Moçambique equilibrando duas latas d’água e o ferrorama dado pela neta Camila, de 16; bois e vacas vindos do Amapá; e panos que recobrem as montanhas e foram escurecidos à base de carvão misturado com grude há mais de 30 anos.

“O presépio é universal. Os amigos viajam, trazem uma lembrança e eu procuro um lugar para ela. Tenho até um monjolo para recordar a minha terra. O fundamental é a oração, a oportunidade que temos de rezar juntos e celebrar o nascimento de Cristo”, acredita a ex-professora, ao lado do marido Ismar, de 73, e da neta Áurea, de 12. Ainda criança, aos 9, Enilde aprendeu a compor o cenário sagrado com a mãe, Augusta, e não parou mais. E, hoje, quem vê a sala da residência quase totalmente ocupada com as figuras, tecidos brilhantes e pisca-pisca no céu de madeira não deixa de imaginar como tudo se materializa. O primeiro passo, explica, é fazer um desenho no papel e chamar o serralheiro para fazer a estrutura de ferro. “O curioso é que o presépio de um ano nunca fica igual ao do Natal seguinte.”

Fonte: Estado Minas
Publicação: 20/12/2009